Out of Reach
[Tsk.]Ele rotacionou o próprio pescoço em alguns graus, tentando ampliar seu campo visual, mas fora em vão. Seus braços, firmemente imobilizados, não eram capazes de segurar nenhum objeto naquela sala mal-iluminada, muito menos auxilia-lo à pôr-se de pé. O piso de madeira, contudo, permitiu que o Uesugi "escorregasse" até uma das quatro paredes, apoiando ali suas costas.
- Mas aonde é que...?Suas memorias pareciam embaralhadas, como cartas em uma mesa de Poker. Talvez sua mente ainda não tivesse despertado completamente, visto que apenas alguns poucos minutos haviam se passado desde que o Gennin recobrara a consciência.
[Itae... Que dor de cabeça.... Esper---- AH! É MESMO!]A epifania, então, veio: Aonde estava o "Velho", à quem Shirou havia ido encontrar no intuito de aprender como combater a Kuroishi? Mais importante ainda, o que havia acontecido depois que os dois se encontraram? O choque foi suficiente para que o rapaz voltasse à apoiar-se sobre os próprios pés: Acordado, alerta.
- K'soo... Eu não consigo lembrar... Mas ficando aqui é que as coisas não vão mudar.Tendo levantado, Shirou pode ter uma visão mais clara de seus arredores: A sala, clareada apenas por um vela, parecia ser algum tipo de biblioteca, visto que haviam estantes e livros espalhados por todo o lugar. Ele, instintivamente, tentou alcançar um dos ditos livros, apenas para ser lembrado que não poderia mover os braços.
- Isso é meio exagerado pra um algema, não é?As "algemas" eram, na verdade, verdadeiros braceletes metálicos que, apesar de não pesarem tanto quanto aparentavam, não davam qualquer sinal de se abrirem.
- Uma porta... Será que eu devia tentar... Ele não seria estupido de deixar isso aberto.Após passar por algumas estantes, o jovem ficava diante da referida porta: Não estava escondida, nem parecia reforçada, como era de se esperar... Era quase como se...
|CREK|[O que você esta querendo, Dezoito?]Shirou apenas havia empurrado-a, desengonçadamente, com seu pé direito, sem aplicar qualquer força notável e ainda assim, a porta praticamente se rachava por inteira.
[Há... Alguém tem um problema com cupins...]Não olhou para trás: Começou à correr avidamente pela passagem que surgiu por trás da abertura. A imobilização dos membros superiores causava certo desconforto, mas talvez Shirou sequer notasse. Apenas corria... Corria de modo quase desesperado. Ainda que não percebesse, seu corpo e sua mente pareciam se comportar de forma antagônica: Ele, Shirou, estava curiosamente calmo, mas suas pernas pareciam repudiar aquele local como se tivessem pensamento próprio. Seus instintos... Estavam lhe dizendo para sair dali.
- Ahn... Ahn... Fim da linha, uh?Vários minutos se passaram até que aquele portão viesse à surgir perante ele: Era uma estrutura rochosa, escura e esculpida com formas diversas, formas estas que variavam do mais simplório rosto humano até a mais desfigurada expressão do que parecia um demônio
[Que senso de decoração ma----] - Você demorou, Uesugi Shirou.- Aa... Não é fácil correr com isso aqui, sabe?A voz, imediatamente reconhecida pelo jovem, parecia vir de todas as direções.
- Dezoito... Arcana "A Lua". Eu não vim aqui procurando problemas: Eu só quero----- "Aprender a usar o Hankon", certo? Você não é muito diferente daquelas pessoas. Vocês não entendem a complexidade disso.A voz, apesar das palavras, não alterava-se em tonalidade ou intensidade: Apenas mantinha aquele ritmo cansado e aquela atmosfera rancorosa.
[Chikuso... Isso não parece bom... Se ele não vai me ensina----]- Eu não posso "tê ensinar", garoto. Você vai ter que aprender sozinho, como todo o resto fez.- Velho... Primeiro você diz que não vai me ajudar e depois... Espera aí... Como você sabia...?- O meu "Presente" é também uma maldição. Pensamento ou fala... As pessoas são livros abertos pra mim... Mas eu já me cansei de falar: O que você precisa saber é que duas coisas podem acontecer com Uesugi Shirou de agora em diante...- E--Ei! Duas coisas?! Dezoito!Não adiantava: A voz não lhe responderia. O suspiro de frustração veio, trazendo todo o gosto amargo de não se saber o que fazer.
- Não tem outro jeito, tem?Seus olhos, levemente fechados, fitavam o grande portão uma vez mais.
["Não espere que seja fácil"... Eu entendi agora, Shin-san.]
"Hankon, ou "Cicatriz", é um tipo de Jutsu misterioso, que parece estar ligado ao surgimento da Kuroishi. As origens dessa técnica remetem à muito tempo atrás... A teoria mais aceita é a de que tal Jutsu é fruto dos experimentos proibidos que foram realizados por um dos Sannins de Konoha. Foi assim que o Shin-san definiu. Naquela época, eu ainda não sabia de nada."
- Vo---Você só pode... Estar brincando...(
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A paisagem absurda não era exatamente o que o preocupava: O fato de que ele JÁ estivera naquele lugar o fazia. No momento em que tocou o rochoso portão, o Uesugi se viu transportado para aquela área...
[Mas... Daquela vez... Eu pensei que isso foi um Genjutsu!]Não havia mais "Saída" ou "Entrada": Era exatamente como da outra vez. Ele pisava na água, como se esta fosse sólida, sem precisar utilizar nenhum Chakra para fazê-lo. Aquele céu, repleto de cores impossíveis, não havia se alterado.
[Nada mudou... Mas então...]O som do liquido se movendo viria em seguida, comprovando seus temores. "As Lanças".
- De novo não...
- É impossível... Ahn... Ahn... Esse lugar... Não tem saída!O cansaço era justificável: Nos últimos vinte minutos, Shirou havia corrido, rolado e saltado de maneira ininterrupta para evitar o que ele passou à chamar apenas de "As Lanças": Assim como da ultima vez que esteve naquele "universo surreal", a mesma água em que pisava eventualmente se condensava, e atacava-o na forma de jatos pressurizados. Era como um Jutsu Suiton, ainda que nenhum sujeito pudesse ser identificado como causador daqueles fenômenos.
[Não, eu me enganei...]Os pés, cansados, golpeavam o chão\liquido de forma fervorosa, à medida que mais e mais "Lanças" vinham na direção do garoto.
[Ainda que eu desvie deles... Esses ataques ficaram muito mais... Espera. Como eu saí daqui da ulti---]"A onda gigantesca"
- Ia ser ótimo se isso fosse uma ilusão...Se abaixou, de súbito, evitando dois jatos comprimidos. Foram os últimos: Todo o local começava à trepidar, como em um maremoto. À frente de Shirou, surgiria exatamente aquilo que terminou seu "sonho" no Genjutsu: Uma massiva quantidade do liquido que compunha o chão se levantava, feito um monstro, indo na direção de Shirou.
[Eu nunca entendi esse lugar... Eu não sei o que toda essa palhaçada significa. Mas... Morrer aqui significa...]Seus pulmões se encheram; Seus olhos se abriram exageradamente.
- EU NÃO VOU QUEBRAR A MINHA PROM-----E então, houve a escuridão.
- Uh?Estava encharcado, mas não parecia ter se ferido. Ao seu redor, uma sala escura, que lembrava muito aquela mesma passagem que o levara até o misterioso portão. O chão era irregular, como o de uma caverna, e estava inundado.
- Aquilo foi...?Ao longe, um ponto luminoso. Uma saída.
- Eu não tenho a menor ideia do foi isso...Desorientado e abatido, o Uesugi rumava na direção do referido ponto... Não foi uma ilusão. O cansaço era real, a dor muscular era real.
- Foi fácil, não foi? A sua Arcana é complacente demais... - Velho... O que é...?- Oh? Essa marca gigante? É o que chamamos de "O Mundo". É aqui que todos os Hankons surgem.Aquele que se autodenominava "Dezoito" foi a primeira imagem vista do Gennin ao sair da "caverna"... A Segunda, o gigantesco simbolo cravado na parede atrás dele.
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- Aonde... Os Hankons surgem?- Eu prometi que não criaria mais assassinos... Mas você não é um, é, Uesugi Shirou? Ou será que eu deveria chama-lo de Treze, Arcana "Morte"?