- Você quer dizer... Que o Hankon é o tal selo?Shirou, apesar de se mostrar desconfiado ao inicio daquela historia, parecia verdadeiramente acreditar no em Rakujin. Não sabia dizer o que lhe dava tal segurança, mas, ao menos para ele, o "velho" não mentia.
- A resposta é sim e não, Uesugi Shirou. O selo, como foi concebido, não passava de um ferramenta de controle. Aquilo que chamamos de Hankon surgiu com a criação dessa "Placa"... Surgiu quando seu avô e outras vinte pessoas encontraram o ultimo resquic---- É muita gentil, sensei. Chama-los de "pessoas".- !!A voz vinha de todas as direções, mas não havia necessidade de procurar pela fonte: Instintivamente, tanto o Gennin quando o assim chamado "Dezoito" se viravam na direção da porta, a mesma usada pelo Uesugi para chegar até ali.
- Faz algum tempo, não faz? Gimashi...
- Sensei... Isso já foi longe demais. Se você entregar a Placa, tenho certeza que o Suzaku-sama não terá objeções quanto ao seu retorno. E... Parece que todos os esforços, meus e do seu amigo, foram fúteis, Shirou.- Gomen... Mas... Eu simplesmente não podia fazer aquilo!Enquanto a expressão facial de Rakujin se mantinha serena, a do garoto ao seu lado denunciava culpa, pesar.
- Eu disse, não disse? Você poderia ter escapado. Todos na Kuroishi acham que o "garoto irritante" morreu na Operação Fim de Jogo... E agora, você está aqui, ignorando a chance de viver em paz. Quanta estupidez, Shirou.
O desapontamento na voz do rapaz vestido em negro era evidente; O silencio foi a única resposta à ele conferida pelo Gennin.
[Mas... Se eu tivesse fugido... Eu estaria abandonando todo mundo!]
- Sokka... Parece que o seu Hankon atingiu o ápice. Nem mesmo a barreira do templo é capaz de suportar as rajadas do Tenyari
- Sensei...
- A minha opinião não mudou. Suzaku não representa a mesma organização em que eu depositei confiança um dia.
- Como... É?
O silencio morbido invadia o local novamente. Segundos de estática, que pareciam durar eras.
- "A Placa pode ser reconstruida, contanto que se destrua a original". Obrigado por tudo, Rakujin-sensei.
- Alguém como Suzaku não merece a sua lealdade, Gimashi... Espero que algum dia você entenda isso.
- Rakujin-san!
O solo tremia e ficar de pé se tornava uma árdua tarefa. Do braço esquerdo de Gimashi, uma grande quantidade de energia passava à ser emitida: Chakra que se tornava eletricidade. Algo que, sem dúvida, lembrava o famigerado Chidori ainda que... Sim, a forma "pontiaguda" era claramente evidente. Uma lança puramente feita de energia imaterial.
- Será rápido.
- Tsk, nenhum Hankon deveria funcionar nessa sala, nem mesmo o meu. Dezesseis, Dezessete anos? Você é uma arma assustadora, Koso. Estou pronto.
- PRO CHÃO!
O Chakra é uma energia que, naturalmente, é usada dentro do corpo do individuo. Fenômenos que o projetam para o ambiente, em estado bruto, são raros... E perigosos. Em analogia, não seria errado compara-lo à eletricidade: Dentro de um aparelho, de forma controlada, cria benefícios e comodidade; No ar, em estado primitivo...
|KRRRUAAAAASSSSHHH
Se transforma em raios e trovões. A sala era preenchida com poeira, e inúmeros fragmentos de rocha se espalhavam por todo o lugar. A última coisa que Shirou viu foi o movimento veloz do braço adversário, que deu origem à um relâmpago, rápido demais para ser acompanhado com os olhos. A descarga atingia a placa, espedaçando-a.
"É uma pena. É... Uma pena."
Nenhum dos três podia ser visto...
- Por... que?
- So dana...
Sentiu o filete de sangue escorrer-lhe pela testa, mas sabia que aquele era apenas um dos muitos ferimentos que agora tinha. Suas costas sentiam todo desconforto de ter uma superfície áspera, rochosa e pesada sobre si. As pernas, vacilantes, tentavam manter a carga suspensa.
- Eu só senti... Como se alguém fosse ficar realmente desapontado... Se você morresse aqui, sabe, velho.
Escura antes, sombria agora. A única fonte luminosa ali era um fragmento do painel destruído, que lentamente perdia seu brilho...
- Você... Por que você protegeu um completo estranho? Estava mais perto da porta... Se tivesse corrido...
- Eu já disse... Não faz o meu estilo deixar as pessoas morrerem assim.
[Se bem que... Eu não vou aguentar muito tempo, né? Acho que no final...]
- Shirou... Pra onde "aquela" sala tê transportou, antes de chegar aqui?
- Meio tarde para perguntar, não é? Foi um lugar problemático. Eu nunca gostei de água, sabe? Ha...Ha...Ha...
O peso não dava trégua: O Gennin, usando o próprio corpo, prevenia que um grande bloco rochoso esmagasse à Rakujin e à ele próprio. Já não podia manter a postura arcada, sendo forçado à apoiar-se sobre o joelho direito. Sentia sua consciência se esvair vez ou outra, percebendo que o chão sobre o seus pés lentamente era pintado com o escarlate de seu sangue. Não que aquilo realmente importasse no momento, mas era impossivel dizer de onde o liquido vinha: TODO seu corpo doía.
- Garoto... Por que é que você está lutando com gente assim?
- Foram eles vieram atrás de mim, no começo... Ahrn! Mas agora... Eu percebi... Que sou eu que não posso perdoa-los... Tsk!
O som de pedregulhos rolando faria gelar a espinha de qualquer um. O tempo acabava, e assim como aquele fragmento no chão perdia o brilho, as esperanças do Gennin se esvaiam.
- Você tem... Algo para proteger, não tem?
"Inúmeras imagens vinham à mente, sem sombra dúvida."
Não se esqueça nunca dos seus amigos, de quem realmente importa.Nós sempre estaremos com você."
- É bem mais do que "Algo para proteger", velho.
Inúmeras marcas, negras como a escuridão crescente, se espalhavam pelo corpo do garoto; Seus olhos perdiam a coloração azul, dando origem ao dourado. Indo contra qualquer limite, ele recobrava a postura sobre os dois pés, ainda que, ao fazê-lo, seus ferimentos se abrissem ainda mais.
- CHI...KU...SO!!!
- O selo...?! Isso quer dizer que... Yoake no Kage!.
Escuridão. Foi o que restou. A pedra caiu, esmagando o que estivesse ali.